A co-dependência

Co-dependente é aquela pessoa que se dedica a cuidar, corrigir e salvar a outra que sofre de algum transtorno, seja emocional, dependência química ou alcoolismo, involucrando-se em suas situações de vida conflitivas, sofrendo e frustrando-se com suas repetidas recaídas, chegando a adquirir características e condutas tão erradas como as do próprio dependente.

"O codependente  se caracteriza por estar tão preocupado e fixado em tratar de resgatar, proteger ou curar a outro, que no processo encaminha sua própria vida ao caos. A conduta codependente tem um efeito contraproducente lesionado tanto a quem ajuda  como ao ajudado." (Washton y Boundy -21-).

Caracteriza-se pela necessidade de ter o controle sobre o outro, baixa auto-estima, dificuldade de por limites, reprimir emoções, assumir problemas dos outros, negação do próprio problema, idéias obsessivas e condutas compulsivas, medo ao abandono, a solidão à rejeição, por seu extremismo (ou são hiper-responsáveis ou demasiado irresponsáveis), tem dificuldade para diversão.

Por estar tão preocupados com os outros chegam a negar seu verdadeiro  si mesmo e não conseguem saber quem são na realidade.

Normalmente os seres humanos crescemos no seio de uma família dizem Washton y Boundy (21) e no caso das personalidades adictivas, as vemos desenvolver-se no que conhecemos como "famílias disfuncionais".

Uma simples observação nos permitirá reconhecer estas famílias disfuncionais como a norma (é muito provável que quase todos nós crescemos no seio de uma família com problemas emocionais). Estas famílias caracterizam-se fundamentalmente por carecer de capacidade para brindar os recursos necessários para enfrentar as crises, as dificuldades e os processos da vida.

Algumas vezes um dos membros do grupo familiar é um adicto, ou bem se trata simplesmente de pessoas com sérios transtornos emocionais ou problemas orgânicos crônicos. Outras vezes os personagens paternos simplesmente estão ausentes. Por todos estes diferentes motivos estas figuras não conseguem aportar o apoio emocional necessário para o desenvolvimento da criança e não lhe provêem de modelos saudavelmente adaptativos.

Charles Whitfield (24) agrega que aprendemos a ser co-dependentes de outros que nos rodeiam. Neste sentido, esta não é somente uma adicção e sim -segundo o autor - também uma doença adquirida por contagio. "Desde o momento em que nascemos, vemos modelos de conduta codependente que nos são ensinadas pelo que parece uma interminável cadeia de gente importante para nós: pais, professores, parentes, amigos, heróis e heroínas. A co-dependencia é ademais reforçada pelos meios, o governo, a religião organizada e as profissões relacionadas com o cuidado da saúde ou com a idade e as diversas circunstâncias."

 

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